Por que negociação é assunto do RH?
Quando se pensa em negociação, logo vêm à cabeça das pessoas a imagem de empresas multinacionais, negociações internacionais, grandes negócios.
  A pergunta que lhes faço é a seguinte: existe algum dia em nossas vidas em que não nos envolvamos em algum tipo de negociação?
  A negociação permeia todas as relações. A todo o tempo estamos tomando decisões que envolvem outrem, principalmente nas relações pessoais dentro da empresa. Negociamos com o gestor o horário de trabalho, horas extras, processos decisórios, se teremos como cumprir determinado prazo ou não…
As pessoas fazem negociações externas com fornecedores, com clientes. Existem negociações no momento de compra e de venda de produtos, negociações sindicais, negociações com empresas parceiras… Enfim… Uma empresa necessariamente não sobrevive sem processos de negociação.
Neste momento você deve estar pensando: “O que você, da área de Recursos Humanos tem a ver com isso?”. “Qual a ligação da área de Gestão de Pessoas com estes processos?”. “Não seria um assunto de importância tão somente dos administradores envolvidos nestas negociações?”.
Não, assumir função de gerente de pessoas não pode, nem deve ser unicamente gerenciar demissões, admissões ou qualidade de vida… Temos que nos postar como os grandes entendedores de pessoas que somos numa função proativa de colaboração para com os processos decisórios da organização. Temos o dever de contribuir para com os lucros da empresa que nos contratou. E por que não, então, auxiliar gestores na aprendizagem de técnicas de negociação e qualidade de gestão?
Ao gestor de Recursos Humanos é fundamental que entenda de negociação, que se pense em pessoas, que se reflita sobre os seres humanos enquanto seres em eterna e constante negociação.
Mas o que fazer para construir empresas com negociantes que busquem o ganho mútuo entre as partes e não vantagens pessoais. Primeiro, demonstrar aos empregados que o ganho da empresa é ganho pessoal para cada um dos membros da mesma. Depois, ensinar a cada um dos colaboradores da empresa a se autoconhecerem, a entenderem a si mesmos e suas vantagens e desvantagens enquanto negociadores, de modo a construir um ambiente de pessoas que conhecem suas limitações e vantagens competitivas utilizando-as nas negociações internas ou externas.
Num ambiente onde todos se conhecem e sabem o que pode dar certo ou errado nas suas relações a chance de desentendimento, de atritos, de discussões diminui sensivelmente. Estaríamos, então, afirmando que ensinar a negociar é papel de psicólogo?
Os psicólogos são conhecedores de técnicas de desenvolvimento pessoal em grupo, conseguem pensar as pessoas enquanto sujeitos ativos de suas vidas. E, de mais a mais, quem disse que a arte de bem negociar não mora justamente na arte de bem se conhecer?
É claro que é um projeto longo e difícil e que não será realizado de um dia para outro. Que passaremos a ter pessoas que se conheçam bem e que reflitam a respeito de si mesmas, de modo a trazer vantagens competitivas para a empresa. Mas, convido você a começar… Vamos deixar de pensar que estamos à parte das grandes negociações e nos colocar como colaboradores ativos na arte de bem negociar nas empresas?


Fonte: RH.com.br