“No meio do caminho tinha uma pedra.

            Você certamente já se deparou com essa citação de Carlos Drummond de Andrade. E provavelmente foi em algum texto que fala sobre vencer dificuldades através do enfrentamento e superação dos obstáculos.

Contudo, quantas vezes nós cometemos precisamente os mesmos erros de outras ocasiões? Ou somos incapazes de encontrar respostas às nossas próprias indagações sobre como seguir adiante? Ou pior, mesmo sabendo exatamente o que fazer, sentimo-nos emperrados,impedidos de dar o próximo passo?

São vários os exemplos: o rapaz que deseja muito passar em um concurso, mas que passa horas na internet ou à frente da televisão e, antes de dormir, se culpa por ter perdido outro dia de estudo; ou aquele amigo com baixa autoestima, mas que não se mantém em uma dieta e não faz exercícios, atacando a geladeira durante a noite; ou a jovem que se mantém trocando de namorado devido à sua infidelidade para acabar se aproximando de outras pessoas com as mesmas características dos anteriores.

Como Coach, há diferentes formas de denominar situações como essa: uma delas, muito conhecida, é chamada de auto sabotagem, que pode ser definida simplisticamente como: um ou mais comportamentos que, repetidamente ou não, vão contra os interesses da própria pessoa.

Entretanto, reflita: como alguém pode, consciente ou inconscientemente, trabalhar contra si mesmo, como se jogasse no time adversário?

Apesar de parecer trivial, esta indagação está intimamente relacionada ao esclarecimento da questão. Isso porque, uma possível resposta à pergunta acima é: – Não pode.

Mas se assim o for, como entender as razões por trás de tais atitudes e como fazê-lo de maneira a não apenas simplificar a compreensão, como também auxiliar na resolução do problema?

Uma alternativa é fazer uma análise à luz o Princípio da Intenção Positiva da Programação

Neurolinguística (PNL) que afirma: em algum nível, todo comportamento serve (ou foi desenvolvido para servir) a um propósito positivo.

Um parêntese: existe uma dificuldade no entendimento deste princípio, em função dainterpretação que as pessoas dão às palavras positiva/positivo, associando-as boa/bom,o que não é o caso. Alguns exemplos podem ilustrar isso facilmente: a intenção positivapor trás do medo pode ser manter-se seguro; a intenção positiva da raiva pode ser agirdiante de algum perigo.

Sob esta perspectiva, é possível entender que, apesar da atitude estar conscientemente em desarmonia com o objetivo, existe ao menos uma razão inconsciente mais importante que as suporta (inclusive, não é incomum que exista não apenas um, mas vários propósitos ocultos).

Aqui, uma distinção se faz essencial: a diferenciação entre o comportamento e sua intenção. Ou seja, a convicção de que a intenção positiva de um comportamento NÃO é o comportamento e, portanto, pode ser satisfeita de outra forma.

Sob este prisma, não parece complicado deduzir que a solução pode ser alcançada através de dois passos fundamentais:

  1.             A descoberta da intenção positiva do comportamento indesejado;
  2.             A identificação e adoção de outros comportamentos mais apropriados que, de alguma forma, satisfaçam aquela intenção positiva;

A execução dos passos acima passa a ser outro desafio da parceria Coach/Coachee. E a própria PNL oferece diversos modelos, técnicas e ferramentas que garantem o sucesso desta empreitada, mas isso seria assunto para outros artigos.

Me parece óbvio também que nem todo problema se resume a isso. Muitas vezes há conflitos, emoções e crenças envolvidas e o trabalho passa por outras análises e atuações distintas.

Mas de qualquer maneira, a auto sabotagem, inclusive para alguns autores, passa a ser uma maneira simplista de abordagem da questão, que esconde uma série complexa de outros fatores que motivam determinados comportamentos, aparentemente, auto destrutivos. Já o princípio da intenção positiva permite uma avaliação e solução sistêmica para a situação do cliente.

Até a próxima!

  • Thiago Quadros

Coach, palestrante e instrutor